"As Oito Bem-Aventuranças do Político"

 

  1. Bem-aventurado o político que tem um alto conhecimento e uma consciência profunda do seu papel.
    O Concílio Vaticano II definiu a política como “arte nobre e difícil” (Gaudium et spes 75).
    No auge do fenómeno da globalização, uma tal afirmação continua verdadeira: à fraqueza e à fragilidade dos mecanismos económicos à escala planetária, só se pode responder com a força de uma política global fundada sobre valores globalmente partilhados.

  2. Bem-aventurado o político que espelha credibilidade.
    Nos nossos dias, os escândalos no mundo da política multiplicam-se, fazendo com que os seus protagonistas percam credibilidade. Para superar esta situação, é necessária uma resposta forte, uma resposta que implique reforma e purificação com o fim de reabilitar a imagem do político.

  3. Bem-aventurado o político que trabalha pelo bem comum e não para o seu próprio interesse.
    Para viver esta bem-aventurança, o político deve interpelar a sua consciência e perguntar-se: estou a trabalhar para o povo ou para mim? Para o meu País, para a cultura? Estou a trabalhar para honrar a moralidade? Estou a trabalhar para toda a Humanidade?

  4. Bem-aventurado o político que se mantém fielmente coerente.
    É necessária uma coerência constante entre a fé e a vida da pessoa empenhada na política; uma coerência firme entre as suas palavras e as suas acções: uma coerência que honre e respeite as promessas eleitorais.

  5. Bem-aventurado o político que promove a unidade.
    E, fazendo de Jesus o centro da unidade, defende-a. Isto, porque a divisão é auto-destruição.

  6. Bem-aventurado o político empenhado na realização de uma mudança radical.
    Tal mudança acontece ao lutar contra a perversão intelectual, recusando-se a chamar bom o que é mau, não confinando a religião à esfera privada, estabelecendo as prioridades das suas escolhas com base na fé. Existe apenas uma Magna Charta: o Evangelho.

  7. Bem-aventurado o político que sabe escutar.
    Que sabe escutar o povo antes, durante e depois das eleições; que sabe escutar a sua própria consciência; que sabe escutar Deus na oração. A sua actividade será marcada pela certeza, credibilidade e eficácia.

  8. Bem-aventurado o político que não tem medo.
    Que não tem medo, antes de mais, da verdade. Diz João Paulo II: “ A verdade não tem necessidade de votos!”. É bem-aventurado o político que não se deixa intimidar pelos mass media. Porque no momento do Juízo, deverá responder apenas a Deus e não aos mass media!

François-Xavier Card. Nguyên Van Thuân

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